Disability World
Una revista electrónica, bi-mensual, sobre noticias y opiniones internacionales relacionadas al tema de la discapacidad
Volumen No. 8 Mayo-Junio 2001


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Brasil Discute Estratégias para a Inclusão Digital
(versión en Portugués - Portuguese version)
Por Rosangela Berman-Bieler (iid@iidisability.org)


Oficina para a Inclusão Digital
O Governo Eletrônico brasileiro (http://www.governoeletronico.gov.br/) através da Secretaria de Comunicação de Governo da Presidência da República e da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, com o apoio das organizações do Terceiro Setor: Sampa.org, Rede de Informações para o Terceiro Setor - RITS e Comitê de Democratização da Informática e do Governo do Distrito Federal, realizou de 14 a 17 de maio de 2001, em Brasília, a Oficina para a Inclusão Digital.

Os resultados dos trabalhos desenvolvidos durante o evento servirão como subsídio na formulação do posicionamento do Governo Federal brasileiro em relação a políticas públicas e estratégias na área digital. São aliados deste Projeto os Programa Sociedade da Informação, Comunidade Ativa e UNESCO.

Entre os vários setores sociais convidados a integrar a Oficina, a área das pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais foi uma das mais bem-representadas, contando com a participação internacional de técnicos e dirigentes do Seminário Iberoamericano de Acessibilidade na Rede-SID@AR/Espanha e do Instituto Interamericano sobre Deficiência - IID/E.U.A., além de várias outras entidades nacionais.

O que é Inclusão Digital
Segundo os organizadores do evento, "Inclusão Digital" é a denominação dada, genericamente, aos esforços de fazer com as populações das sociedades contemporâneas - cujas estruturas e funcionamento estão sendo significativamente alteradas pelas tecnologias de informação e de comunicação - possam:
  • obter os conhecimentos necessários para utilizar com um mínimo de proficiência os recursos de tecnologia de informação e de comunicação existentes
  • dispor de acesso físico regular a esses recursos.
Embora possa ser questionado se as alterações causadas pelo desenvolvimento explosivo recente das tecnologias de informação e de comunicação são suficientes para justificar que afirmemos estarmos vivendo em uma 'Sociedade da Informação' ou do 'Conhecimento', é certo que o impacto dessas tecnologias já alterou substantivamente as relações sociais, econômicas, culturais e políticas do mundo em que vivemos.

Dado que a existência de uma grande disparidade entre a competência comunicativa dos diversos segmentos de uma sociedade constitui um importante fator de fragilização do ordenamento e do funcionamento democráticos dessa sociedade, a importância do tema Inclusão Digital é ostensiva.

Considerações Gerais
Encabeçando a lista de premissas gerais do documento oficial desenvolvido pela oficina, está a afirmação de que "a exclusão digital aprofunda a exclusão sócio-econômica" e que "a toda a população deve ser garantido o direito de acesso ao mundo digital, tanto no âmbito técnico/físico (sensibilização, contato e uso básico) quanto intelectual (educação, formação, geração de conhecimento, participação e criação)".

Como consequencia da influente participação da área da deficiência, segue entre as premissas gerais que regem todo o documento, a seguinte recomendação:

"As ações de Inclusão Digital devem promover a inclusão e equiparação de oportunidades para a população brasileira, respeitando os conceitos de Diversidade e Desenho Universal. Cabe especificar que o todo social inclui populações com necessidades especiais muitas vezes invisíveis como é o caso de pessoas idosas, de baixa escolaridade, com impedimentos ou limitações intelectuais e mentais, físicas, sensoriais, motoras e/ou com mobilidade reduzida, pessoas com limitações temporárias, etc. "

Inclusão Digital, Pessoa Portadora de Deficiência, Equipamentos Especiais e Acessibilidade
No âmbito das propostas apresentadas no documento, um capítulo específico foi incluído para tratar das questões relevantes às pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais. Constam deste capítulo as seguintes recomendações:

Premissas
  • A inclusão digital, em função das possibilidades que oferece às pessoas portadoras de deficiência, tem uma importância maior para essas pessoas do que para as demais.
  • Acesso deve ser compreendido não apenas como o acesso à rede de informações, mas também como a eliminação de barreiras arquitetônicas, de comunicação e de acesso físico, equipamentos e programas adequados, bem como conteúdo e apresentação da informação em formatos alternativos.
  • Todas as normas técnicas e documentos regulamentadores na área de criação e desenvolvimento de equipamentos e programas, sejam eles específicos ou não às pessoas portadoras de deficiências, deverão contar com a participação de representantes de usuários das diversas áreas de deficiência. O acesso físico dessas pessoas deverá ser garantido pelo órgão regulamentador competente.
Diretrizes
  • Equiparação de oportunidades de acesso ao mercado de trabalho através da adequação dos recursos físicos, tecnológicos e humanos.
  • Implementação e manutenção de páginas governamentais que atendam às necessidades especiais dos usuários dentro do conceito de desenho universal e acessibilidade previstos no W3C (Consórcio para a WEB) e WAI (Iniciativa para Acessibilidade na Rede)
  • Disponibilização de conteúdo informativo em formatos alternativos como disquete, fitas de áudio, Braille e outros.
  • Desenvolvimento de conteúdos de interesse específico para a área de deficiência nos setores de serviços e promoção da cidadania.
Propostas
  • Fomentar a criação de linhas de produtos especializados que atendam aos portadores de necessidades especiais.
  • Estimular projetos de adaptação de equipamentos de informática e desenvolvimento de programas para uso por pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais, garantindo a democratização da informação.
  • Estimular o desenvolvimento de projetos em tecnologia de assistência com alto ou baixo custo, tais como: adaptadores de teclados e mouse, cadeiras ergonômicas, adaptação de estação de trabalho, etc.
  • Articular os três setores (Estado, iniciativa privada e sociedade civil) em torno da inclusão econômica e social através da criação de uma rede de informações sobre o mercado de trabalho, capacitação e oferta de mão de obra para pessoas portadoras de deficiência.
  • Colocar à disposição do público, em todas as escolas, após capacitação dos educadores, recursos tecnológicos para pessoas com necessidades especiais.
  • Criar, dentro do Ministério da Ciência e Tecnologia, um Centro Nacional de Ajudas Técnicas - CNAT para Inclusão Digital. O CNAT será responsável pela promoção e o financiamento de pesquisa e desenvolvimento de programa, equipamento e dispositivos de ajudas técnicas necessárias à inclusão digital de pessoas com necessidades especiais. Entre suas ações, o CNAT deverá:
    • Criar, manter e disponibilizar à sociedade um banco de dados em ajudas técnicas.
    • Apoiar e viabilizar a participação de representante brasileiros em organismos internacionais que tratam de normas técnicas para a construção de equipamento e elaboração de programas acessíveis.
    • Criar um "Selo de Acessibilidade" .Todo produto deverá ser submetido à aprovação para sua utilização pública.
    • Traduzir para o português e para LIBRAS e disponibilizar na rede, inclusive em formatos alternativos (Braille, áudio, tipos ampliados, formato txt, etc), as normas técnicas internacionais e documentos relevantes na área de acessibilidade digital.
    • Garantir nos equipamentos das ações de Inclusão Digital a possibilidade de conexão de periféricos especiais, bem como recursos de som, vídeo e imagem utilizados pelas ações de Inclusão Digital.
Telecentros & Desenho Universal Os grupos de trabalho que participaram da oficina para a inclusão digital se dividiram por várias áreas de interesse e o segmento da deficiência procurou estar representado na maioria destes grupos, de forma a garantir a adoção do conceito de desenho universal em todos os ítems do documento final. Além do capítulo específico acima mencionado, muitos outros pontos do documento mencionam este conceito.

Este é o caso do capítulo que trata dos telecentros ou infocentros. Os telecentros são "lojas" que oferecem acesso a computadores e outros equipamentos e se destina prioritariamente a um público que não tem contato com as tecnologias da informação no trabalho ou escola. Dentro deste capítulo, incluiu-se a seguinte recomendação:

"Os Telecentros devem atender aos princípios de desenho e Acesso Universal, ou seja, garantir o acesso de toda a população às suas instalações, ambientes, equipamentos e programas. O conceito de desenho universal tem como pressupostos:
  1. 1. Equiparação nas possibilidades de uso:
    design é útil e comercializável às pessoas com habilidades diferenciadas.
  2. 2. Flexibilidade no uso
    design atende a uma ampla gama de indivíduos, preferências e habilidades.
  3. 3. Uso Simples e intuitivo
    uso do design é facilmente compreendido, independentemente da experiência do usuário, do nível de formação, conhecimento do idioma ou de sua capacidade de concentração.
  4. 4. Captação da informação
    design comunica eficazmente ao usuário as informações necessárias, independentes das condições ambientais ou da capacidade sensorial do usuário.
  5. 5. Tolerância para o erro
    design minimiza o risco e as conseqüências adversas de ações involuntárias ou imprevistas.
  6. 6. Mínimo esforço Físico
    design pode ser utilizado de forma eficiente e confortável, com um mínimo de esforço
  7. 7. Dimensão e espaço para uso e interação
    design oferece espaços e dimensões apropriados para interação, alcance, manipulação e uso, independente do tamanho, postura ou mobilidade do usuário.
  8. 8. No conceito de acessibilidade para todos, se incluem como beneficiários as pessoas com equipamentos lentos e antiquados ou muito modernos."
Participação de todos
Documento Oficial referente aos trabalhos que foram realizados na Oficina para a Inclusão Digital já está disponibilizado para download na área Documento Oficina para a Inclusão Digital no site: www.inclusaodigital.org.br. Instituições e cidadãos que desejem apresentar uma iniciativa de Inclusão Digital para divulgarem seu trabalho, devem entrar na área "Inscrição de Iniciativas de Inclusão Digital" do mesmo site.



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